Páginas

sábado, 30 de abril de 2011

Primeira Guerra Mundial

No final do século XIX, na Europa e nos Estados Unidos, o progresso, especialmente no campo econômico e social, era visível nas grandes cidades e capitais dos principais países, dando a sensação de que o mundo ocidental atingia o estágio prenunciado pelos iluministas do século XVIII, de que a humanidade, apoiada pela razão e a ciência, caminha para o progresso.Todo esse período de desenvolvimento, verificado nas artes, nos transportes, nas cidades,  na comunicação na produção de máquinas, etc., foi chamado de Belle  Époque.
Todo esse desenvolvimento econômico aumentou a competição internacional entre s economias e, com isso, o mundo entrou num período denominado imperialismo, no qual as grandes potências passaram a disputar áreas de outros continentes onde podiam se abastecer de matéria-prima para suas indústrias, de alimentos e fazer investimentos.
Aos poucos, os governos passaram a assumir a conquista de novos territórios como uma questão nacional. Ou seja, era dito que a ampliação de territórios seria em benefício de toda a nação, por isso todos deveriam se esforçar e dar a sua contribuição para essa empreitada.
Apesar de a população não esperar pela guerra, as principais potências europeias vinham se preparando militarmente para uma possível guerra, dando início a uma corrida armamentista como nunca acontecera.
A Europa não foi à guerra exclusivamente por causa da corrida armamentista, nem tampouco porque todos os governantes a desejavam, mas devido à situação internacional que lançou as nações nessa competição.
Por isso para explicar a eclosão  guerra, é necessário analisar um conjunto de condições mais afastadas de seu início, tais como: disputas imperialistas, competição industrial e capitalista entre potencias europeias, a corrida armamentista, os nacionalismos e o sistema de alianças.
Entre países ou nações, é comum haver rivalidades, mas, se elas forem exacerbadas, podem converter em nacionalismo exagerado. Nacionalismo é a preferência determinada pelo que é próprio à nação à qual se pertence, no entanto o problema está no exagero, ou seja, quando a pessoa (ou grupo de pessoas) é tão nacionalista que passa a considerar sua nação ou seu povo ou país melhor em tudo e a desqualificar os demais. Caso esse exagero aumente, pode-se chegar ao ponto de as pessoas de uma nação pensarem que, por serem “mais importantes”, podem dominar as outras ou destruí-las.
Diante de todo esse contexto de rivalidades, corrida armamentista e nacionalismos, cada país procurou se aproximar de outros com o objetivo de se fortalecer, garantir seus interesses e poder contar com aliados caso algum conflito começasse. Com isso se formara duas Tríplices:

Ø  Tríplice Aliança: Alemanha, Itália e o império Austro-Húngaro.
Ø  Inglaterra, França e Rússia.
 No início de 1914, a Europa parecia viver um período de muita tranquilidade. No entanto, bastaria um incidente entre dois países  para levá-los à guerra.
Em junho de 1914, o exército austro-húngaro fazia manobras militares em território da Bósnia, perto da fronteira com a Sérvia. A intenção era fazer demonstração de forças para os sérvios de modo que eles pensassem duas vezes antes de entrar em conflito com a Áustria-Hungria. No dia 28 de julho, quando as tropas já estavam no local, o herdeiro do trono austro-húngaro, Francisco Ferdinando e sua esposa foram até Sarajevo, capital da Bósnia, para presidir oficialmente a abertura das operações militares austro-húngaras.
Francisco Ferdinando planejou um passeio em carro aberto pelas ruas de Sarajevo e, logo na partida, uma bomba caseira explodiu em um dos carros oficiais. Era um atentado contra a comitiva imperial, mas não atingiu o herdeiro do trono austro-húngaro. A partir daí, a comitiva se dispersou e o motorista do carro onde estava Francisco Ferdinando dirigiu-se para outra direção e acabou entrando em uma viela, onde estava Gravilo Princip, um dos membros do atentado anterior. Reconhecendo o herdeiro no carro parado, Gravilo aproximou-se e rapidamente atirou no herdeiro do trono e em sua mulher, que morreram na hora.
De início, o atentado em Sarajevo não provocou grandes reações na Europa. No entanto, os comandantes do exército austro-húngaro, entendendo que o atentado fora apoiado pelo governo sérvio, pressionaram o governo de seu país para que exigisse reparações por parte da Sérvia.
O governo da Sérvia, que não havia participado do atentado, recebeu um ultimato da Áustria-Hungria exigindo que o governo sérvio tomasse providências para acabar com todos os movimentos antiaustríacos na região e que fosse permitido ao governo austro-húngaro investigar dentro da Sérvia para descobrir e punir todos os envolvidos no atentado de Sarajevo.
A Sérvia aceitou todas as exigências, exceto a que permitia a investigação em seu território. Os exércitos austro-húngaros e sérvios já estavam mobilizados e, como não se chegou a um acordo, mais por intransigência da Áustria-Hungria, esta declarou guerra aos sérvios, em 28 de julho de 1914, um mês após o atentado de Sarajevo.
A população, em geral, apoiou a guerra, acreditando que ela não seria tão desastrosa e que vitimaria somente os combatentes.
Imediatamente após a declaração de guerra entre a Áustria-Hungria e a Sérvia, o sistema de alianças começou a funcionar e, em poucos dias, as grandes potências da Europa estavam em guerra. Em poucos meses, os conflitos se espalharam por quase todo o continente. Veja a sequência:

§  Em 1º de agosto, a Rússia, em apoio à Sérvia(que era eslava), declarou guerra à Áustria-Hungria.
§  Imediatamente, a Alemanha, em apoio à Áustria-Hungria, declarou guerra à Rússia.
§  Sabendo que os franceses entrariam na guerra em apoio à Rússia, o governo alemão declarou guerra à França.
§  No dia 2 de agosto, o governo alemão solicitou ao governo belga autorização para passar pelo seu território para invadir a França; como não foi autorizado, ele declarou guerra à Bélgica e invadiu seu território.
§  A invasão da Bélgica levou o governo inglês a declarar guerra à Alemanha; a alegação era de que os alemães invadiram um país que era neutro.
§  Mais tarde, o Império Otomano aliou-se ao Império Austro-Húngaro e ao Império Alemão; no pacífico, o Japão declarou guerra à Alemanha.

Assim formaram-se dois blocos rivais durante a guerra:


Potências Centrais

Alemanha e Áustria-Hungria e, mais tarde, o império Otomano e a Bulgária.

Países da Entente mais aliados

Rússia, França, Inglaterra, Sérvia, Bélgica e, mais tarde, Japão, Portugal, Grécia, Itália, Romênia e EUA (este somente em 1917).

Como podemos ver na tabela, a Itália passou para o bloco da Entente. Isso se deve porque, depois de uma série de acordos secretos, foi prometido o território de Tirol e parte das colônias alemãs em caso de vitória na guerra, por isso decidira fazer parte da Entente.
Em certo momento, nenhum dos lados conseguia avançar sob o outro porque teve início a chamada guerra das trincheiras, onde os exércitos haviam cavado valas no chão, onde os combatentes não podiam ser vistos pelo inimigo.
A partir do início de 1917, alguns fatos movimentaram a guerra e ela se encaminhou para o final. Visando enfraquecer a França e a Inglaterra, os alemães declararam guerra total nos mares, atacando qualquer navio que estivesse no mar. Com isso, alguns navios dos Estados Unidos foram atacados e afundados, trazendo prejuízos para o país.Depois disso os Estados Unidos, que estavam apenas financiando a guerra com armas e alimentos, entrou na guerra contra os alemães.
Na frente oriental, a situação havia ficado mais complicada. O czar Nicolau II foi deposto na Rússia e o poder foi ocupado por um governo provisório. O governo provisório manteve o país na guerra, mas, com a entrada de outro governo em outubro de 1917, a Rússia se retirou da guerra assinando um tratado com a Alemanha.
Percebendo que a derrota era inevitável, no dia 11 de novembro de 1918, ainda combatendo em território francês, os alemães assinaram um acordo de paz com os países da Entente e seus aliados. Enfim, depois de quatro anos, a guerra chegara ao fim, deixando marcas profundas em todos os aspectos da vida dos europeus e do mundo.
Terminada a guerra, chegara a hora do acerto de contas. Como foram a Alemanha, a Áustria-hungria, a Bulgária e a Turquia que pediram o fim dos combates, os países da Entente e aliados consideraram-se os vencedores e com direito de determinar as penalidades aos vencidos.
As conferências de paz foram realizadas na França, a partir de janeiro de 1919, sem a presença de representantes dos países considerados derrotados.
Foi feito um acordo para cada país derrotado. Cada tratado recebeu o nome do castelo ou parque nas vizinhanças de paris onde foi assinado. O mais severo  foi o Tratado de Versalhes, para a Alemanha. Veja algumas exigências:
Ø  Devolução dos territórios da Alsácia-Lorena à França;
Ø  Proibição da fabricação de tanques e armamentos pesados ;
Ø  Redução da marinha para 15 mil marinheiros, seis navios de guerra e seis cruzadores;
Ø  Proibição do funcionamento da aeronáutica alemã;
Ø  Pagamento aos países vencedores, principalmente França e Inglaterra, pelos prejuízos causados durante a guerra; este valor foi estabelecido em 269 bilhões de marcos.

A Primeira Guerra Mundial foi considerada a maior carnificina humana até aquele momento. Seus desdobramentos imediatos o de médio e longos prazos foram imensos, sendo o pior deles o fato de, mesmo com tantas perdas, os probblemas que o causaram não terem sido resolvidos pela guerra.
















Um comentário: